Como avaliar o desempenho dos meus investimentos?

Os retornos ponderados pelo tempo, TWR (Time Weighted Return) e os retornos ponderados pelo dinheiro, MWR (Money Weighted Return), são dois métodos distintos para avaliar e comparar investimentos ou projetos.

Retornos ponderados pelo tempo (TWR):

  1. Definição: Os retornos ponderados pelo tempo medem a taxa composta de crescimento de uma carteira durante um período específico. Eles eliminam o impacto de depósitos e retiradas, fornecendo uma imagem mais precisa do desempenho do gestor de investimentos.
  2. Cálculo: São calculados vinculando os retornos dos subperíodos e, em seguida, encontrando a média geométrica desses retornos vinculados. Este método é benéfico para avaliar o desempenho de um gestor de investimentos, independentemente da influência de fluxos externos. É o retorno “puro” da estratégia.
  3. Vantagens:
    1. Elimina o impacto de fluxos externos.
    2. Útil para avaliar o desempenho de um gestor de carteiras ou estratégia de investimento.
  4. Limitações:
    1. Não considera os efeitos do comportamento dos investidores nem o momento das entradas e saídas de dinheiro.
    2. Não reflete o desempenho real obtido por um investidor porque não leva em conta o impacto dos movimentos de dinheiro.

Retornos ponderados pelo dinheiro (MWR):

  1. Definição: Os retornos ponderados pelo dinheiro (também conhecidos como Taxa Interna de Retorno ou TIR) representam o momento e o tamanho dos fluxos de caixa que entram e saem de um investimento. Este método leva em conta o impacto de depósitos ou retiradas dos investidores no retorno geral.
  2. Cálculo: Os retornos ponderados pelo dinheiro são calculados resolvendo a taxa de desconto que iguala o valor presente dos fluxos de entrada de caixa com o valor presente dos fluxos de saída. Esta medida de rentabilidade é mais influenciada pelo momento e magnitude dos fluxos de investimento.
  3. Vantagens:
    1. Reflete o impacto do tempo e quantidade de fluxos de caixa, proporcionando uma visão mais personalizada do desempenho real de um investidor.
    2. Mais relevante para investidores individuais que fazem contribuições ou retiradas periódicas.
  4. Limitações:
    1. Sensível ao momento e tamanho dos fluxos de caixa, o que pode dificultar a avaliação da habilidade de um gestor de investimentos.
    2. Pode ser influenciado pelo comportamento do investidor, que pode não representar precisamente o desempenho do gestor de investimentos ou do investimento em si.

Vejamos um exemplo:

Temos 2 carteiras de investimento, Carteira A e Carteira B. Ambas obtêm os mesmos retornos em dois anos consecutivos. Investimos USD 100.000 em ambos os fundos da seguinte forma:

Ano 1: Investimos USD 100.000 no fundo A

Ano 2: Investimos USD 0 no fundo A

Ano 1: Investimos USD 50.000 no fundo B

Ano 2: Investimos USD 50.000 no fundo B

Carteiras

Retorno ano 1

Retorno ano 2

Carteiras A

20%

10%

Investimento

100.000

0

Carteiras B

20%

10%

Investimento

50.000

50.000

 

Como calculamos o retorno ponderado pelo tempo (TWR) de cada fundo?:

Fundo A:

Retorno ano 1 x Retorno ano 2 e encontramos a média geométrica desse produto

-1= 14.89%

Fundo B:

Retorno ano 1 x Retorno ano 2 e encontramos a média geométrica desse produto

-1= 14.89%

Ambos fundos têm o mesmo retorno médio anual.

 

Como calculamos o retorno ponderado pelo dinheiro (MWR) de cada fundo?:

Fundo A:

100.000 x 1.20 x 1.10 = 132.000

132.000/100.000 = = 14.89%

Fundo B:

50.000 x 1.20 x 1.10 + 50.000 x 1.10 = 121.000

Então: ⟮(50.000 x taxa MWR)+ 50.000⟯ x taxa MWR= 121.000. Ou seja, encontramos a taxa pela qual os 50.000 investidos no ano 1, aos quais se adicionam 50.000 no ano 2, resultam em 121.000 ao final do período. Isso pode ser facilmente feito com uma planilha do Excel usando a fórmula TIR.

Resolvendo essa equação, obtemos um MWR= 13.40%

Como podemos ver, o tempo e o montante do investimento no fundo B fizeram com que o resultado final fosse um valor menor em relação ao investimento em A. Mesmo investindo a mesma quantia, em duas estratégias com retornos iguais, resultou em retornos diferentes. Isso ocorre porque na carteira A os 100.000 totais foram investidos no ano com melhores retornos, enquanto na carteira B foi metade e metade. Portanto, o “peso” relativo maior do retorno dos 100.000 fez com que o retorno “em dinheiro” fosse maior para a carteira A.

Qual dessas medidas devemos usar? Existe uma melhor que a outra?

A resposta para a pergunta 1 é “depende”, e a resposta para a pergunta 2 é um não definitivo!

Como explicamos no início, cada forma de medir o retorno tem objetivos diferentes e interpretações de utilidade diferente. Se meu objetivo é avaliar o desempenho da estratégia do meu investimento em relação ao desempenho geral do mercado e outras estratégias de investimento, o mais correto é comparar os TWR, pois essa medida não será “contaminada” pelo tempo nem pelo montante do investimento.

Se o objetivo é medir o retorno da minha carteira em particular, avaliando como me saí com meus investimentos em um determinado período de tempo com um determinado número e montante de depósitos, o MWR me fornecerá a taxa real pela qual meu dinheiro cresceu, tendo sido investido em anos bons e ruins, em última análise, “minha realidade”.

 

Ec. Juan Martín Rodríguez, CFA