Por que concentrar sua carteira em um único fundo UCITS bem estruturado pode ser mais seguro e eficiente do que parece.
À medida que o conhecimento sobre o funcionamento dos mercados financeiros evoluiu, isso impactou diretamente os produtos de investimento disponíveis e a forma como as pessoas investem seu dinheiro.
Hoje sabemos, graças à pesquisa de dezenas de acadêmicos e ganhadores do Prêmio Nobel, que o mercado financeiro é muito eficiente e que não vale a pena “lutar” contra ele. Sabemos que a melhor maneira de investir para obter bons resultados é com ampla diversificação, permanecendo sempre investido, com baixos custos de gestão e operação, minimizando impostos e, idealmente, inclinando a carteira para empresas com maiores retornos esperados.
Dessa forma, a maioria dos portfólios de investidores já não é composta por posições individuais em poucas ações ou títulos, mas sim por centenas ou milhares de ativos. E, a menos que estejamos falando de uma instituição com centenas de milhões de dólares, a forma mais eficiente de fazer isso é por meio de fundos de investimento — uma maneira de reunir o capital de milhares de investidores para alcançar economias de escala e, no fim, melhores resultados.
Essa tendência levou ao surgimento de gestoras gigantescas, como BlackRock e Vanguard, que hoje administram trilhões de dólares. Muitas delas também criaram fundos conhecidos como “One-Fund Solutions”, ou seja, fundos únicos que já contêm tudo o que a carteira precisa. Um exemplo claro são os “Target Date Funds” usados como padrão em planos de aposentadoria nos EUA: um só fundo que investe em milhares de ações e títulos, e que ajusta sua alocação conforme se aproxima a data de aposentadoria.
Na Nantas, mesmo que tenhamos visões diferentes sobre o quanto aumentar a exposição à renda fixa, somos favoráveis às “One-Fund Solutions” quando disponíveis. O fundo Dimensional World Equity Fund, com mais de 14.800 posições, é um ótimo exemplo. Ao reunir tudo em um único fundo, minimizamos custos operacionais tanto na compra e venda quanto dentro do próprio fundo. E menos custos significam maior retorno esperado.
No entanto, toda essa eficiência deve ser ponderada frente a uma dúvida válida: é arriscado investir tudo com uma só gestora de fundos?
Um único fundo pode oferecer toda a diversificação necessária
Ter apenas um fundo na carteira não diz muito sobre sua diversificação. O que importa é o que está dentro do fundo.
Se for um fundo ativo tradicional, com 20 ou 30 posições, você está pouco diversificado. Mas se for um fundo passivo ou sistemático, com milhares de empresas em dezenas de países — parabéns: sua carteira está bem diversificada.
Nesse caso, adicionar outro fundo com o mesmo objetivo não melhora a diversificação, só aumenta o custo. Ter um fundo da Vanguard que investe nas maiores empresas do mundo e adicionar outro da BlackRock com a mesma proposta não traz vantagem. O mesmo vale se você já está investido em um fundo da Dimensional com inclinação a empresas menores e mais rentáveis: somar outro fundo só diluiria essa exposição desejada.

Regulação e supervisão robustas nas jurisdições corretas
Defendemos sim o uso de um só fundo — desde que ele esteja domiciliado em uma jurisdição séria, como EUA, Irlanda ou Luxemburgo, e seja regulado por autoridades rigorosas.
Um fundo UCITS domiciliado na Irlanda, por exemplo, deve seguir regras rígidas do Central Bank of Ireland: limites de concentração (nenhum ativo pode ser mais de 10% da carteira), controle de alavancagem, liquidez mínima e resgates obrigatórios (geralmente diários). Também deve divulgar um documento KID com custos, objetivos e riscos de forma clara, além de publicar balanços auditados semestralmente.
Essas exigências fazem da Irlanda um centro confiável e eficiente para fundos UCITS — com distribuição global e proteções legais e operacionais superiores às opções locais.
A gestora não tem acesso direto ao dinheiro do fundo
Os ativos de um fundo UCITS são segregados do patrimônio da gestora. Eles ficam sob custódia de um depositário independente e não podem ser usados para outros fins.
Além da gestora (que toma as decisões de investimento), existem duas figuras-chave:
Essa separação cria um sistema de controles cruzados que protege o investidor.
O fundo continua existindo mesmo se a gestora desaparecer
Os ativos do fundo pertencem aos investidores, não à gestora. Se a gestora quebrar, o fundo continua existindo. Os diretores independentes do fundo (Board of Directors) podem nomear uma nova gestora — com aprovação do regulador. Caso isso não seja possível, o fundo pode ser fundido com outro ou liquidado, devolvendo os recursos aos investidores após a venda dos ativos (que geralmente são líquidos).
Os diretores do fundo são responsáveis por:
Conclusão
Investir com uma única gestora não é, por si só, arriscado — desde que o fundo seja público, regulado, diversificado e operado sob boas práticas de governança. A estrutura dos fundos UCITS oferece uma rede de proteções institucionais que vai muito além da gestora em si. Quando tudo está bem estruturado, um único fundo pode ser tudo o que sua carteira precisa.
Cr. Rodrigo Cancela, CFA
Nantas é uma firma independente de assessoria financeira registrada junto ao Banco Central do Uruguai como Assessor de Investimento e junto à U.S. Securities and Exchange Commission (SEC) como investment adviser.
O registro junto à SEC não implica um determinado nível de habilidade ou capacitação.
Copyright © 2024 Nantas SA